sábado, 29 de outubro de 2011

Sobrinha de peixe, peixinha é

Desde criança eu sempre gostei de escrever. Em casa, apesar do pouco estudo dos meus pais, falar corretamente o português sempre foi uma exigência. Até hoje, uma concordância verbal errada ou a pronúncia de uma palavra inexistente ou trocada é motivo de correção, perto de quem quer que seja. Para quem não está acostumado, pode parecer grosseria, as desde pequenos fomos acostumados a corrigir uns aos outros. E não importa quem esteja por perto. No mínimo, quem ouvir aprende também.
Mas essa “insuportável” maia que temos de corrigir uns aos outros em casa pelo menos nos fez falar e escrever corretamente. Talvez, por isso, seguimos fazendo o mesmo com as novas gerações. E não é que está dando certo. No dia do meu aniversário, em setembro, fui surpreendida pela minha sobrinha-neta, Nicole, que tem apenas 15 anos. Há 9 anos, desde que comecei a trabalhar para a Expoflora, ela e os irmãos Isadora e Rafael (está com 5 anos, mas vai lá desde que nasceu) ficam um ou dois dias no evento comigo. Minha mãe também adorava visitar o evento das flores e, em especial, a Chuva de Pétalas. Em vez de contar, prefiro publicar o texto que a Nicole escreveu, intitulado “Porque optei fingir que acredito”. Ela escreveu:
“Há alguns anos, eu e minha família somos fiéis ao passeio na cidade das flores. É uma vez ao ano em que deixamos de lado os desentendimentos, decepções e tristezas que existem em qualquer família estranhamente normal. Um dia para dar o devido valor aos pontos altos de se ter uma família.
Esses dias são afogados por risadas, piadas sem graça e muita comida. Dia para matar as saudades de quem quase não se vê, dia de amar e ser amado. Dia de sorrir e, em troca, receber sorrisos.
A chuva de pétalas sempre foi a melhor parte. Todo mundo junto, grudadinho para presenciar a chuva mais delicada que existe. Finalzinho da tarde e todos estendem e elevam as mãos para sentir o toque das pétalas. Esse momento sempre foi bonito, já que dizem que quem segurar uma pétala ainda no ar tem um sonho realizado. E todos os anos eram iguais: milhões de sonhos, mãos para o alto, pessoas e pétalas
No ano que passou, minha família perdeu um pedaço. A nossa querida abelha rainha – conhecida também por ser irmã, tia, mãe, avó e bisavó -, resolveu que era a hora de partir para o andar de cima e nos deixou sem... sem mãe, avó e bisavó, que é o meu caso. A saudade tomou conta das casas e das pessoas e, por um bom tempo, ninguém conseguiu ouvir a palavra capelete sem deixar que uma lágrima escorresse de seus olhos.
Eu era aquela pessoa que tentava segurar pétalas por diversão, mas nunca acreditei na história da realização de sonhos. Porém, esse ano, a vontade de segurar uma pétala foi maior. Era como se alguma coisa estivesse me puxando para lá. Fiquei bem na frente e levantei as mãos. Estava disposta a segurar uma pétala.
A chuva com cheiro de flor começou e lá fui eu tentar segurar e sentir o cheiro da rosa. Depois de inúmeras tentativas frustradas deixei a mão direita aberta e não a movi. Um minuto, aproximadamente, se passou e, finalmente, uma pétala pousou sobre a palma da minha mão. Resolvi não conter o choro e o deixei percorrer o meu rosto. Choro de saudade e alegria caminhando de mãos dadas. Saí de lá com a pétala na mão e sentei-me em um canteiro de flores em frente à Sala da Imprensa. Fiquei quieta e comecei a curtir a saudade da minha bisa que voltou para me visitar.
Para a minha surpresa, a música “Como é grande o meu amor por você”, do Roberto Carlos, começou a tocar. Uma música que a dona Maria Helena – minha bisa – adorava e vivia a cantarolar. Optei fingir que acredito na história das pétalas, por sempre ouvir a minha “véia” falando que gostaria de segurar várias pétalas para pedir amor, alegria, saúde, dinheiro e paz para os parentes e amigos.
De agora em diante, tentarei pegar o máximo de pétalas que eu conseguir, para poder continuar a pedir todas as boas coisas que ela pedia. Assim, poderei lembrá-la com mais amor e saudade do que eu me lembro hoje”.
Não é uma fofa? Acho que logo,logo, essa menina puxa o meu tapete.

Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br

sábado, 28 de maio de 2011

Vida cigana

Embora eu esteja em plena viagem de férias, só estou escrevendo a coluna esse mês porque a Neusinha Mafissioni e a Glaucia Crepaldi reclamaram da minha ausência no jornal. Fiquei tão feliz que prometi não falhar mais. Como estou longe, não tenho como pedir a ajuda dos amigos, mas aqui vai. Por sugestão do Clovinho, vou relembrar da época em que o Chapadão foi “invadido” por ciganos.
Quem morou no Castelo no final das década de 1960 e início dos anos 1970 deve lembrar-se da grande quantidade de barracas que durante anos ocuparam os terrenos baldios alheios, entre as casas recém construídas no loteamento que foi criado nas terras da antiga Fazenda Chapadão.
Creio que esse foi o primeiro bairro – ou um dos primeiros - escolhido pelos imigrantes, vindos principalmente da Romênia, para viver em Campinas. O inusitado para nós é que os nossos novos vizinhos moravam em tendas, sem energia elétrica e água encanada e tinham costumes bem diferentes dos nossos. Acho que foram os primeiros estrangeiros que conheci, além dos meus avôs.
Os moradores os viam com curiosidade, espanto e, alguns, até com medo. Afinal, ninguém sabia ao certo de onde vinham o que faziam aquelas pessoas. Os comentários eram de que viviam da venda de tachos de cobre e outros objetos artesanais.
Como ocupavam terrenos que nem deles eram, com a autorização de alguns moradores mais tolerantes faziam “gatos” na rede de energia elétrica e emprestavam a água das casas vizinhas. Alguns moradores reclamavam, mas meus pais nunca se incomodaram com isso.
Uma das famílias instalou uma barraca bem em frente à nossa casa, na Rua Ibsen da Costa Manso, e, por isso, era comum vê-los enchendo baldes de água nas torneiras de nosso jardim.
Lembro-me das ciganas banhando-se e aos seus filhos em bacias, ocultadas apenas por longos tecidos coloridos pendurados em cordas, como se secassem em um varal. Também me recordo dos comentários que corriam pelo bairro pelo fato das ciganas não terem vergonha de sacar o peito em público para dar de mamar às crianças, numa época complicada e moralista quando as campanhas de conscientização sobre a importância da amamentação materna sequer eram cogitadas para exibição nas emissoras de TV.
Seus modos e costumes eram, simplesmente, diferentes e, por isso, talvez provocassem um misto de admiração e indignação nas pessoas que começavam a povoar o bairro. A grande herança que temos de meus pais foi o ensinamento de sempre aceitar a todos como amigos e a nunca discriminar ninguém. Descontadas as brigas comuns entre as crianças, nosso relacionamento com os ciganos sempre foi muito bom.
Cética, minha mãe só não gostava quando alguma cigana oferecia-se para ler a sua mão em troca de alguns trocados. Sempre com respostas prontas, dona Lena devolvia:
-Não, obrigada. Mas se quiser eu posso ler a sua, respondia, para encerrar de vez a conversa.
Depois de um tempo vivendo em barracas, os ciganos começaram a adquirir os terrenos e a construir casas. Como meu pai ajudou na construção de muitas delas ou fez a parte de marcenaria daquelas residências, os ciganos passaram a nos convidar para as suas festas. As de casamento lembro-me bem, duravam três dias. Uma delas foi realizada pela simpática família do Emilio Bechara (acho que era esse o seu nome), que morava na esquina da Rua Bento da Silva Leite com a Avenida João Erbolato.
Nos terrenos desocupados foram montadas imensas barracas com mesas e bancos de madeira. A comida era muito farta, com direito a porco assado no rolete. As ciganas, com suas saias longas e coloridas e suas blusas ousadamente decotadas para a época, enfeitaram-se ainda mais, abusando do dourado nas vestimentas. As casadas distinguiam-se das solteiras pelo lenço que usavam na cabeça.
Embora construíssem casas grandes, as moradias dos ciganos, naquela época, dificilmente tinham portas, armários e acabamentos. Tão pouco móveis. A estrutura interna continuava sendo a das barracas, com panos pendurados nos ambientes e o único conforto eram os tapetes espalhados pelo chão. Depois de um tempo eles deixaram o Castelo e começaram a construir no Alto do Jardim Eulina e Taquaral. Perdemos totalmente o contato e hoje nem sei mais onde estão.
Em tempo. Esse mês tem a festa Junina da Igreja Cristo Rei. Estarei por lá, na barraca de minipizza, ajudando o Clovinho e a Lazinha. Que tal nos reunirmos para um quentão? Espero por vocês.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Solidariedade a granel




Muita gente pensa em ajudar ao próximo, mas não sabe por onde começar. A justificativa mais comum é a falta de tempo e de dinheiro para qualquer ação beneficente. Há muito tempo a vida vem me provando que a história não é bem assim. Assim como toda grande obra é sustentada por pequenos tijolos, uma boa ação é calcada no espírito de solidariedade e no amor que tomos trazemos no coração.
Os desafios, é claro, a primeira vista parecem imensos. Mas basta decidir enfrentar-los para que pessoas com vontade de ajudar surjam muitas vezes de maneiras insólitas ou inesperadas, em nosso caminho. Exemplos não me faltam nesses mais de 40 anos em que, levada pela minha mãe, decidi colaborar com o MAE Maria Rosa (antiga Sopa do Grameiro).
Um dos exemplos foi no Natal de 2010. Graças à colaboração de centenas de pessoas, conseguimos fazer com que o Papai Noel entregasse cerca de 400 sacolinhas com presentes, roupas, livros e produtos de higiene pessoal para as crianças e adolescentes do e para mais quatro creches que a própria entidade auxilia, na região dos Amarais e do bairro Matão.
Na Páscoa, não foi diferente. Tínhamos o compromisso de doar 250 ovos de chocolate para as crianças atendidas no Jardim Campineiro. Os preços praticados no mercado dificultavam a nossa tarefa. Eis que surge, pelo segundo ano consecutivo, a Marina, da Zenith Food, uma microempresa que funciona na Avenida João Erbolato, no Jardim Chapadão, para nos mostrar que nem sempre o lucro é apenas a sobra do dinheiro que entra na conta corrente.
A Marina produziu com exclusividade para a entidade, deliciosos ovos de 250 g cada, cobrando somente R$ 5,50 a unidade. A “turma do Castelo” ajudou muito, comprando caixas com 10 ovos ou passando o chapéu entre os amigos. Cada um colaborou como podia: a Laine Turati, que mora na avenida papa Pio XII, encarregou-se de arrecadar o dinheiro com os jornalistas do Correio Popular, onde trabalha. A Renata Tavares, que vive nas proximidades da Pedreira do Chapadão, fez o mesmo com o pessoal da Thema Relações Públicas. A Rosa Guedes, mãe da Renata, e a Lazinha Paes Lemes e o Clovis Cordeiro doaram caixas com 10 unidades. Mais gente ajudou: o pessoal da Embramac, capitaneado pela Vera Andrade, a Cristina Beluco, a Renata Sanches e a Valéria Salek, são algumas das amigas que estão sempre a postos em todas as campanhas nas quais nos envolvemos.
Assim, de ovo em ovo fizemos a Páscoa das crianças da entidade. Se os R$ 1.350,00 necessários nos pareceram uma fortuna no início da campanha, graças à contribuição de mais de cem pessoas, cada uma contribuindo com quanto dispunha no momento, pagamos pelos chocolates e, ainda, conseguimos cachorro quente e refrigerantes para a festinha de entrega. Parece pouco. E é, porque tem mais.
Lembram-se das quatro creches que ajudamos também no Natal? Elas pediram ajuda na Páscoa, mas a diretoria do MAE Maria Rosa explicou que estava difícil até mesmo para atender as crianças da entidade. Só que, conforme expliquei, a ajuda sempre aparece e só Deus – com certeza, só Ele mesmo – sabe de onde vem.
Na terça-feira antes da Páscoa a minha irmã Regina, que trabalha no Colégio Educap, na Vila Nova, me telefonou informando que as crianças da escola haviam feito uma campanha da Páscoa para o mãe Maria Rosa e solicitava que alguém fosse buscar as doações: óleo, macarrão, leite, achocolatado e muitos outros alimentos que garantirão as refeições para as crianças da entidade até o final do semestre.
Entre os donativos, 240 ovos de chocolate, embrulhados em sacolinhas decoradas com desenhos de coelhinhos pintados pelos alunos do Colégio. Doações suficientes para atendermos as mesmas quatro creches que ajudamos no Natal. Preciso contar mais?

Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O sapatinho da mamãe



Eu já contei parte dessa história aqui. Vou apenas estendê-la. No Dia das Mães de 1986, a jornalista Rosa Guedes lamentou-se com dona Lena sobre a sua vontade de ter um filho. Minha mãe foi até o armário e de lá tirou um sapatinho de lã que ela própria havia tricotado, embrulhou-o para presente e o entregou à Rosa.
- No ano que vem você traga esse sapatinho “cheio”, ordenou dona Lena.
No dia 23 de janeiro passado o “recheio” do sapatinho da minha mãe completou 24 anos, está com mais de 1,70 de altura e tornou-se uma moça linda, inteligente, estudiosa e trabalhadora, orgulho dos seus pais e, é claro, da tia Lu (que sou eu, se é que alguém não ainda não sabe).
A história dos Guedes Tavares, que moraram na Rua Lucio Pereira Peixoto e, agora, vivem na Rua José de França Camargo, no Jardim Chapadão, na nossa vida é muito interessante.
O José Carlos Tavares foi meu colega de faculdade. A Rosa Guedes formou-se um ano depois, mas estreitamos a amizade em 1982 quando trabalhamos juntas na Radio Central. Foi amizade a primeira vista. Se bem que a palavra “vista” nesse contexto pode até parecer força de expressão. É que a Rosa, na adolescência, não enxergava muito bem devido ao astigmatismo e hipermetropia. Assim, quando íamos ao cinema, eu me sentava ao lado dela para ler, em voz alta e sob o protesto da platéia, as legendas dos filmes na tela.
Valeu a penas, pois acredito piamente que esse sacrifício tenha sido considerado quando o casal Tavares me convidou para madrinha do casamento. Desde então, a nossa amizade só aumento com o passar dos anos.
Como a família da Rosa é de Echaporã e a do Tavares de Rinópolis, a dona Lena os adotou como filhos em Campinas, incluindo-os sempre nos domingueiros almoços familiares. Com o nascimento da Renata e, um ano depois da Ana Leda, as meninas também foram incorporadas à árvore genealógica dos Badolato Longuini. A quem perguntasse sobre quantos netos tinha, dona Lena respondia de pronto:
- Doze.
-São 10, alguém sempre a corrigia.
-Não, são doze. Você não contou a Renata e a Ana Leda, dizia.
Quando a Renatinha nasceu eu era muito baladeira. Saia todas as noites e chegava em casa com o Sol quase nascendo, ou, as vezes, já no alto do céu. Com uma filhotinha tão pequena, a Rosa e o Tavares passavam o sabadão trancados em casa e queriam a companhia dos amigos aos domingos. Assim, todos os finais de semana a Rosa me ligava logo pela manhã, com o mesmo apelo:
-Longuini, é a Rosa. Eu te acordei?
-Não, respondia. Eu tive que levantar para atender ao telefone que estava tocando, resmungava.
-Vem almoçar aqui, pedia.
Eu aceitava o convite, mas ia cambaleando de sono. Mal terminava de almoçar, eu pegava a Renatinha no colo e dizia que ia para o quarto fazê-la dormir. Bastava alguém abrir a porta para me flagrar no maior sono e a Renata brincando, sozinha, sentadinha na cama.
Certa vez, a rosa e o Tavares viajaram para Buenos Aires e as deixaram comigo. Eu as levava para a escola, fazia comida para elas e, ainda, as “obriguei” a participar de um concurso de redação do Mac Donalds. Mas sei que a Re-re, como a chamo, me perdoa, assim como a Ana Leda, que é tão baladeira quanto a tia e a quem eu também homenageio por aniversariar no dia 28 de fevereiro. A Renata é Relações Públicas e trabalha na Thema. A Leda formou-se em Comércio Exterior e foi contratada pela Motorola. Sempre que podem, elas me visitam. Saímos para tomar cerveja e comentar sobre trabalho e amores. Além de minhas eternas sobrinhas, elas se tornaram minhas grandes amigas. Tanto quanto os seus queridos pais.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A festa "Bárbara"

Denise, Zete, Susi, Neusinha, Mara, Verinha e Lazinha


Ir ao casamento de amigos é uma benção. Mas constar da lista de convidados da cerimônia matrimonial dos filhos deles é uma dádiva ainda maior, pois representa uma carinhosa demonstração de que os amigos desejam compartilhar conosco a felicidade deles. Acho que foi o excesso de alegria que me fez até errar a data do casamento da Bárbara e do Gustavo – ela, filha do Celso e da Silmara Perallis e, ele, filho do Pedro e da Francisca Salmazo.
Na sexta-feira, dia 15 de outubro, encerrei o trabalho mais cedo e voei para o salão de cabeleireiro. Telefonei várias vezes para o Marcos a fim de que não se atrasasse, pensando no trânsito, já que a cerimônia estava marcada para as 19h15.
Às 18h50, produzidíssima, maquiada, penteada e vestida com um longo ocre-dourado, agarrei a bolsa e saímos. Como sou muito atrapalhada, ainda no elevador decidi conferir qual seria a igreja, já que uma semana antes havíamos participado de outro casamento e temi confundir o local.
Ao abrir o convite, só consegui ler a data: 16 de outubro, que parecia destacar-se do restante do texto. Senti um calafrio percorrer a espinha e a ameaça de suor sobre a maquiagem. Olhei para o Marcos e perguntei-lhe docente:
- Que dia é hoje?
-15, ele respondeu.
Como as letras insistem em misturarem-se quando estou sem óculos para leitura solicitei ao Marcos que lesse a data do casamento que constava no convite.
-16 de outubro, disse-me ele, fitando-me com ar irônico.
Não sei se ri de incredulidade ou por achar divertida a confusão que eu fiz. O jeito foi voltar para casa, trocar a roupa e sair para badalar, aproveitando a maquiagem e o cabelo arrumado, que tiveram, é claro, que ser refeitos no dia seguinte.
Sobre o casamento, eu nunca estive em uma festa na qual os noivos aproveitassem tanto para comemorar com os amigos. No meu casamento eu não aproveitei nada. Mal terminei de cumprimentar as pessoas da última mesa, e já havia quem viesse se despedir.
A Bárbara e o Gustavo, ao contrário, planejaram tudo com muita eficiência. Para curtir com os convidados que lotaram os dois andares do Campinas Hall, eles foram logo para a pista de dança de onde comandaram a festa junto com a banda que tocava ao vivo.
A cada momento os convidados recebiam adereços para fomentar a animação: pandeiros com fitas verdes e vermelhas para acompanhar as tarantelas; tiaras com véus para todas as mulheres no momento do buquê; máscaras com a caricatura do noivo para que a Bárbara, literalmente, visse apenas o rosto do Gustavo em qualquer homem para o qual, sem querer, ousasse olhar. A noiva não se intimidou e subiu ao palco para cantar o Ila ilariê.
A família Perallis dominou a pista. A Susi fez um tremendo sucesso com seu transparente vestido verde-água. A Denise e o Dorival esbanjaram elegância como padrinhos. A dona Dóris reviveu seus momentos românticos dançando coladinha com o neto Vinicius, talvez relembrando o seu casamento com o saudoso sr. Reinor. A Sueli veio especialmente da Alemanha com o Karl e os filhos Patrícia e Eduardo. E o Lilão não deixou ninguém parado no salão. Na nossa mesa, o gostoso bate-papo reuniu a Zete e o Cesar, a Neusinha e o Waldir, a Lazinha e Clovinho, a Mara e o Nando Barcelos e o Marcos e eu.
O Celso e a Silmara não escondiam o orgulho e a alegria. Na saída, bem-casados foram entregues em delicadas caixinhas de madeira branca decoradas com flores, assim como um criativo e delicado porta-lingerie. Uma festa alegre, como o momento vivido por todos. Um brinde aos noivos. A festa estava, simplesmente, ..."Bárbara"!

domingo, 10 de outubro de 2010

Esquenta para os 50

Não é novidade para ninguém que eu sou festeira, adoro comemorações e reuniões com os amigos. Assim, meus aniversários não podem passar em branco. Desta vez, para comemorar mais uma data querida, resolvi promover a festa Esquenta para os 50, já que, ao completar 49 anos, restam-me apenas 12 meses para bolar um super evento para quando eu chegar ao meio século de existência.
Parece muito? Mas não é. Apesar de tudo o que já vivi creio que ainda tenho uma vida inteira pela frente e muito por realizar. Por isso, continuo querendo sempre as pessoas queridas bem por perto. São elas o meu alicerce, a base que sustenta a minha vida.
O Esquenta para os 50 foi no Red Hall do Clube Regatas, com direito ao buffet assinado pelo Leonel, do Tênis Clube, show dos Ecléticos André e Mike e ao delicioso bolo surpresa levado pela Adelaine Cruz e pelo Paulo Scolfaro. A Elizete Marcolino, minha “irmã gêmea”, para minha alegria, esse ano, voltou a soprar as velinhas comigo.
Não há espaço para citar nominalmente todos os amigos e parentes que estiveram lá, mas é curioso destacar que compareceram “representantes” de todas as etapas da minha vida: aqueles com os quais convivi na infância, brincando nas ruas de terra do Castelo; com os quais estudei no Parque Infantil da avenida Alberto Sarmento, nos Colégio Dom João Nery, Hildebrando Siqueira e Culto a Ciência e na universidade.
Também estavam meus vizinhos, a “turma da piscina”, o pessoal da academia e os festeiros dos happy hours. A energia estava tão boa que atraiu até a Daniela, filha da Conceição e sobrinha do Edson e da Celinha. Dizem as más línguas que ela era “bico”, mas sabemos que a Daniela foi conduzida até a festa pelas boas vibrações que invadiram o local.
Mas o quero destacar não é a badalação do evento, e, sim, a alegria de conseguir reunir nessa data tão especial, pessoas que fizeram e fazem parte da minha história, festejando comigo as conquistas e estando ao meu lado nos momentos difíceis. Muitas delas já me orientaram sobre o caminho a seguir e contribuíram para a formação do meu caráter. Graças a elas creio que hoje me tornei uma pessoa muito mais confiante, segura e feliz, pronta para receber com o coração totalmente aberto aqueles que estão chegando nesse momento na minha vida.
E eu não poderia deixar de fazer um agradecimento especial para o Frank Sampaio, que só recentemente eu soube estar morando com seu “môri” Marcia em uma das travessas da Rua Cônego Manuel Garcia. Foi ele o único e grande responsável pela viabilização da festa. Na correria provocada pelo encerramento da Expoflora e pelo sucesso do Casa Cor – Casa Hotel, não fosse a ajuda desse festeiro amigo nada teria acontecido.
Além disso, foi ele quem, mesmo sem planejar ou querer, incluiu o Marcos Rocha na minha vida. E com o Marcos vieram a Marcela e o Dudu, a dona Vilma, a Lili e a Julia. Espero que eles tenham vindo para ficar e que, no futuro, façam parte das muitas histórias que eu ainda terei para contar.

Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Doces Lembranças...Valeu, mamãe


Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br





A coluna deste mês, se me permitem, será dedicada à minha mãe, Maria Helena, a dona Lena, ou Leninha. Deus, que a havia emprestado para nós, achou por bem levá-la de volta no dia 11 de julho. O sentimento não é de tristeza, mas de uma imensa saudade. Se já não posso, como fazia todas as manhãs, ligar para ela para perguntar-lhe como havia passado a noite e para lembrar-lhe: “Eu te amo, mamãe! Você é minha linda fofa.”, eu mando para ela todo o pensamento de amor.
Eu sou, e creio que falo por meus irmãos, eternamente grata por dona Lena ter aceito a missão de ser a nossa mãe nessa encarnação. Badolato, seu sobrenome, nomeia uma pequena cidade da Calábria, na Itália. Soma-se a isso o seu nascimento, em 10 de setembro, sob o signo de virgem. O que se poderia esperar de uma calabresa virginiana senão uma mulher extremamente rigorosa, tanto com a gente como com ela própria?
Quando crianças, sempre que éramos convidados para festas, nos obrigava a jantar antes em casa para que não avançássemos nas mesas de doces e salgados. Tinha sempre uma bronca pronta para nos dar, merecêssemos ou não. “Eu conheço os filhos que tenho”, dizia, com toda a razão.
Alguma vezes, tentava nos cobrar comportamentos moralistas. Tínhamos que dar o exemplo. Mas era derrotada pelas nossas brincadeiras e piadinhas. Restava-lhe somente nos lançar seu inesquecível olhar de reprovação por cima dos óculos.
Foi é a amada por muita gente, não apenas pela família. Nossos amigos a adotaram como mãe e a paparicavam até demais. Apesar disso, também sofreu. Das suas desilusões, creio, a mais dolorosa foi a amorosa. Nunca superou a separação e, em vez de dar-se a chance de experimentar e viver um outro relacionamento preferiu fechar seu coração e esperar que a vida se encarregasse de fazer-lhe as vontades. Conseguiu. Se valeu a pena, apenas ela poderá, um dia, nos contar.
Para sobreviver e sustentar principalmente a mim, vendeu tricô e crochê na Feira de Artesanatos, além de capeletis para a clientela amiga, mesmo depois de conseguir a sua aposentadoria. “Sempre foi uma guerreira”, a define a amiga Maria Beraldo. Se não foi perfeita, pelo menos deu o melhor de si: conseguiu superar-se como mãe, saiu-se muito bem no papel de pai e foi minha grande amiga. Se não lhe contei alguns poucos segredos, não foi por desconfiança. Foi somente para poupá-la. Havia coisas que eu queria lhe contar, mas, certamente, ela não gostaria de ouvir. Afinal, eu não sou a filha perfeita que ela gostaria.
Embora a dona Lena não tenha aprovado a minha decisão de ser jornalista, uma profissão que não era muito promissora na época em que eu a escolhi, foi dela, que cursou apenas até o quarto ano primário, que eu herdei o gosto pela escrita.
Apesar de alguns poucos erros de português - como o “si”, que escrevia em vez de “se”, suas mensagens tinham um conteúdo profundo. Tanto que, em 1988 minha cunhada Jacqueline teve a feliz idéia de reunir só os seus poemas em um livro, de um único exemplar. Vou agora organizar as todas suas escritas e ampliar essa publicação para presentear as pessoas que lhe eram queridas.
As cartas que trocávamos, na verdade, serviam mais para evitar brigas e discussões. Por meio do papel resolvíamos nossas discordâncias e revelávamos nossos pensamentos e sentimentos. Também escrevíamos nos momentos de felicidade, para manifestar nossas alegrias pelas conquistas ou para eternizar datas.
Muitos de meus amigos foram alvo de suas poderosas cartinhas. Sua intenção era a de que eles refletissem sobre o momento que enfrentam, geralmente de dificuldades. Para a Rosa Guedes Tavares, que em um Dia das Mães revelou-lhe a vontade de parir, ela foi mais além: tricotou um sapatinho de lã e pediu que no ano seguinte o levasse “cheio” em sua casa. No ano seguinte, lá estava a Rosa e o Tavares com a Renatinha no colo.
Meio bruxa, meio fada, mas muito sensitiva, não dava para esconder nada da dona Lena. Ela sempre descobria. Entre seus tantos méritos está a sua generosidade. Adorava receber a todos, em sua casa, com suas famosas sopas de capeleti, seus torteli, cipoli e bolinhos de chuva. O café estava sempre fresquinho, dado o grande número de visitas que recebia. Foi ela quem nos ensinou a receber bem a todos, a manter as portas de nossas casas sempre abertas e a nunca discriminar ninguém.
Trabalhou sempre pelos pobres. Por mais de 40 anos foi voluntária do MAE Maria Rosa (Sopa do Grameiro). Também contribuiu muito como Lar Campinense de Bem Estar do Menor e com a Casa Bom Pastor. Vestiu muitas crianças e bebezinhos com seus paletozinhos, toucas e sapatinhos de flanela ou de lã. Mesmo doente, nos últimos meses, ainda tricotava e preparava os enxovalzinhos completos para o Grameiro e para mandar para os pobres de Caconde. Deixou-nos a herança de seu trabalho para ser continuado.
Foram tantos os amigos que apareceram na sua despedida! Prova do tanto que foi e ainda é querida. Não estou triste com a sua partida, pois sei que ela é um espírito que deve estar em paz. Só gostaria de saber quem a estava esperando do lado de lá e como está sendo a sua recuperação. Mas confio em Deus e sei que, logo, logo, ela será incumbida de uma nova missão. Ela só precisa descansar um pouco. Afinal, não deve ter sido fácil cuidar da Regina, da Kelly, da Neusinha, do Carlinhos e de mim. Valeu, mamãe! Você foi massa. Obrigada por estar conosco nesta vida. Eu te amo. Você é uma linda fofa!