quinta-feira, 7 de junho de 2012
De volta à escola
Foi só citar o Colégio Dom João Nery no último artigo para reavivar a memória de muita gente que lá
estudou. Cada um tem uma história curiosa, engraçada ou, às vezes, até meio confusa para contar sobre
os professores, seus comportamentos e disciplinas. Evito publicar as histórias nas quais as pessoas são
ridicularizadas ou as lembranças estão longe de serem elogiosas, como as que citam aqueles que viviam
de “manguaça” ou que vestiam roupas “inadequadas” ou ainda, que lançavam mão de apagadores e outros
objetos, atirando-os contra os alunos para colocar ordem na classe. Outros tempos, cujos comportamentos
eram considerados normais, mas que hoje poderiam ser delatados como crimes contra a infância e a
juventude. Por isso, decidi escrever apenas sobre as “boas” recordações. Afinal, elas são muito mais
produtivas, não é verdade?
O Davilson Maltoni, por exemplo, teve a delicadeza de enviar-me um e-mail informando que o professor
de Desenho, o Henrique Marchini, desenhou para ele um distintivo da Ponte Preta, guardado até hoje.
Também em seu “baú” está um trabalho de Artes assinado pelo professor Nilton. A torcida masculina
reclamou da ausência do nome da Orleide, professora de História, por quem a maioria suspirava.
A Katia Gabriel Silva postou no facebook que o Basílio, filho do professor Martins, foi seu colega de
trabalho na CPFL. Ela lembrou-se, ainda, dos professores de Educação Física não mencionados no artigo
passado, como a Maria Lina, o Barbosa e o Pádua que usavam, para suas aulas, as dependências do Clube
Andorinhas, no Jardim Chapadão.
Foi a Katia quem também se lembrou da casa situada bem em frente ao portão do Colégio, cujo muro
servia de “poleiro” para os estudantes que ali ficavam paquerando nos horários de entrada e saída das
aulas. Até o dia em que o dono do imóvel decidiu passar graxa no muro para que os estudantes não o
incomodassem mais.
A Marina Francabandiera contou da fanfarra, cujas roupas de “bandeirantes” foram compradas graças
à receita das festas juninas realizadas na escola pelos próprios alunos. Receitas que ajudaram também,
segundo ela, na construção do muro que cerca do Colégio até hoje.
A fanfarra conquistou o primeiro lugar já na sua estreia em um desfile de 7 de setembro, realizado na
avenida Francisco Glicério, graças à chamativa fantasia marrom e amarela adornada por um grande
chapéu e botas pretas.
Ela cita, ainda, que os melhores alunos de cada classe tinham que usar uma fitinha verde e amarela
amarrada à uma medalha do Dom João Nery pendurada por um alfinete no bolso da blusa. Os pais eram
chamados para a cerimônia de entrega realizada no pátio da escola e os alunos destacados subiam ao
palco para que a professora colocasse a medalha. Era um orgulho. Eu não me lembro de ter recebido
nenhuma.
O Miguel Samuel recorda dos tempos do primário, quando os alunos, em fila no pátio, eram obrigados a
cantar o Hino Nacional. Eu me lembro que os alunos que se ofereciam para ajudar na cantina ganhavam
lanche e refrigerante caçulinha. Eu ajudava sempre.
A Elizabeth De Nardo, que na época chamávamos de Beth Baptista, e hoje vive nos Estados Unidos, está
à procura da Alba Regina Ranzani, não sei se para rever a grande amiga ou para saber se ela ainda tem a
receita do “melhor sonho do mundo”, recheado com goiabada ou creme, vendido no barzinho que o pai da
Alba tinha na Rua Erasmo Braga, pertinho do Colégio.
E, vejam que bacana: encontrei-me com a Cidinha Reis, esposa do Luiz Antônio e mãe da Fernanda e do
Felipe. Embora só a irmã dela, a minha xará, Vera, tenha estudado no Dom João Nery, ela disse viajar
no tempo com nossas lembranças, já que morava ali pertinho, na Rua Quintino Bocaiúva. Um beijão,
Cidinha, e espero que você também me ajude a contar um pouco das boas lembranças que todos nós
temos da nossa infância e juventude. Afinal, esse espaço é todo nosso.
Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br
domingo, 8 de abril de 2012
Novas gerações
Quando você pensa que todas as coincidências, casualidades ou sincronicidades já
aconteceram na sua vida, eis que o destino novamente traz boas surpresas. No sábado, 31 de março, fui madrinha do casamento do meu sobrinho Felipe, filho da Kelly, com a Karine, numa linda festa na chácara da noiva, em Pinhalzinho. Quando fui convidada para “abençoar” o casamento, o Felipe me perguntou se eu aceitaria ser madrinha de seu casório junto com um amigo que ele gostava muito, o Ronaldo, que eu sequer conhecia.
- Depende, ele é bonito?, brinquei.
- As meninas dizem que sim, respondeu.
- Então eu topo, aceitei.
E não é que o garoto é bonito, mesmo! Só que o lindão do Ronaldo tem aproximadamente
a metade da minha idade e é filho da minha xará Vera, irmã da Sônia, da Ivonete e do
Washington, que moravam na Rua Alberto Jackson Byington, no Jardim Chapadão. Nós nos
reuníamos sempre na mureta da casa do Gilberto (Urtigão), na esquina com a Rua Cônego
Manoel Garcia.
Pode um negócio desses? Adorei. Quando o Ronaldo me falou que “talvez” eu conhecesse
a mãe e as tias dele, fui logo perguntando os nomes. Conforme ele falava, as imagens das amigas voltavam à minha mente. Que delícia. E que bom saber que o destino colocou o Ronaldo e o Felipe na mesma rota para que se tornassem amigos. Amizade da segunda geração, sem qualquer interferência da primeira. Mais uma obra do destino. Chamei as minhas irmãs e o meu irmão e apresentei o Ronaldo para todos:
- Vocês nem imaginam quem é esse moço lindo!, eu dizia.
Eu me amarro nessas histórias. Até mesmo porque eu vejo sincronia em tudo o que acontece na minha vida. Mesmo quando o “acaso” tem fortes aliados para promoverem esses reencontros, como as redes sociais, pro exemplo. Graças ao Facebook cial já reencontrei centenas de amigos. E, quando acredito que já reencontrei todo mundo, alguém cria um novo grupo e ali aparecem outras dezenas de pessoas que fizeram parte, de alguma forma, de minha história.
O grupo mais recente é o DOM JOÃO NERY – Bonfim, a escola primária onde estudei e que, depois, tornou-se ginásio em substituição à escola Hildebrando Siqueira que funcionava no mesmo prédio da Rua Erasmo Braga. Nesse grupo estou lendo e curtindo as Doces Lembranças de antigos colegas, principalmente sobre os professores. Estou resgatando a história do professor Antonio Roiuk, que tantos comentários provocou no Face e será o tema da minha próxima coluna. Entrem no grupo e deixem lá suas lembranças. As mais interessantes eu prometo transcrever no JORNAL DO CASTELO
Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br
quarta-feira, 14 de março de 2012
Amélia não era a mulher de verdade!
Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, gostaria de homenagear algumas das mulheres que, apesar de viver no “Castelo”, não tiveram vidas de princesa, mas transformaram-se em verdadeiras soberanas graças às duras experiências impostas pela vida.
Que me perdoem Mário Lago e Ataulfo Alves, mas discordo que a “Amélia é que era mulher de verdade”. Das tantas mulheres que eu conheço e que merecem ser assim chamadas, destacarei a minha mãe, a Maria Helena (Lena) Badolato, e as mães e parentes de amigos meus, como a dona Ordália Cordeiro, a dona Ilse Baptista, a Luiza Dias, a Conceição Costa, a dona Regina Marcolino, a dona Dóris Perallis, Celina Barcellos de Moraes, Alaide Castelli e tantas outras, às quais antecipadamente peço desculpas por não citar aqui.
À elas devemos, principalmente, a criação dos filhos maravilhosos que deixaram como seus vivos exemplos na Terra para dar continuidade à uma linhagem que precisa ser mantida. Todos nós, seus filhos, temos que deixar a modéstia de lado e admitirmos que somos pessoas do “bem”, que promovemos a honestidade, a amizade e a dignidade. Graças a essas mulheres maravilhosas que Deus teve o carinho de colocar em nossas vidas.
Com “ninhadas” de filhos, elas não tinham máquinas de lavar roupas ou pratos, não tinham faxineiras, empregadas, nem cozinheiras, não tinham automóvel (aliás, a maioria sequer sabia dirigir), não contavam com delivery e com nenhuma das tantas facilidades da vida moderna. Minha mãe, por exemplo, precisava ensaboar, ferver, quarar, lavar novamente, enxaguar e colocar para secar ao sol as nossas roupas encardidas da terra do Chapadão ainda sem asfalto em suas ruas nas quais brincávamos. E foi tão benemérita auxiliando tanto o Movimento Assistencial Espírita Maria Rosa, a antiga Sopa do Grameiro, onde prestou serviços voluntários por mais de 40 anos, e enquanto a sua saúde permitiu.
A dona Ordália, que nada enxergava, além de tudo, ainda ajudava no sustento da casa, costurando chapéus para a fábrica dos Cury. A Conceição Costa, que além de mãe foi uma super tia para todos nós, realizou paralelamente à sua vida doméstica um grande trabalho de assistência aos jovens viciados em drogas que pudemos acompanhar tão de perto.
Mulheres que, se a dificuldade apareceu, não passaram fome ao lado dos maridos e, em vez de acharem graça de “não ter o que comer” ou de enfrentar qualquer outra dificuldade, arregaçaram as mangas e foram à luta, priorizando a prole e ajudando – ou sozinhas – a sustentar seus lares. Não viveram só de amor e, apesar de, certamente, também sonharem e suspirarem para a lua, vestiram a armadura para enfrentar a tudo e a todos que um dia chegaram a ameaçar os seus castelos. São soldadas, são guerreiras, são exemplos. Das Amélias que conheço, só mesmo a que leva o Maria antes do nome e o Sanches como sobrenome, enfermeira de primeira linha e que curou tantas feridas, próprias e alheias, com toda a dignidade que o mundo lhe deu.
É para essas mulheres a minha homenagem: que cuidam de seus filhos, pois sabem a responsabilidade que assumiram perante a vida ao dar a luz e, ainda, conseguiram tempo, coragem e disposição para cuidar de tantos outros. Embora algumas já não estejam fisicamente aqui, sei que ainda continuam olhando, orando e torcendo por nós. Obrigada pelos exemplos que nos deram. Obrigada por terem feito parte e por ainda estar em nossas vidas.
Que me perdoem Mário Lago e Ataulfo Alves, mas discordo que a “Amélia é que era mulher de verdade”. Das tantas mulheres que eu conheço e que merecem ser assim chamadas, destacarei a minha mãe, a Maria Helena (Lena) Badolato, e as mães e parentes de amigos meus, como a dona Ordália Cordeiro, a dona Ilse Baptista, a Luiza Dias, a Conceição Costa, a dona Regina Marcolino, a dona Dóris Perallis, Celina Barcellos de Moraes, Alaide Castelli e tantas outras, às quais antecipadamente peço desculpas por não citar aqui.
À elas devemos, principalmente, a criação dos filhos maravilhosos que deixaram como seus vivos exemplos na Terra para dar continuidade à uma linhagem que precisa ser mantida. Todos nós, seus filhos, temos que deixar a modéstia de lado e admitirmos que somos pessoas do “bem”, que promovemos a honestidade, a amizade e a dignidade. Graças a essas mulheres maravilhosas que Deus teve o carinho de colocar em nossas vidas.
Com “ninhadas” de filhos, elas não tinham máquinas de lavar roupas ou pratos, não tinham faxineiras, empregadas, nem cozinheiras, não tinham automóvel (aliás, a maioria sequer sabia dirigir), não contavam com delivery e com nenhuma das tantas facilidades da vida moderna. Minha mãe, por exemplo, precisava ensaboar, ferver, quarar, lavar novamente, enxaguar e colocar para secar ao sol as nossas roupas encardidas da terra do Chapadão ainda sem asfalto em suas ruas nas quais brincávamos. E foi tão benemérita auxiliando tanto o Movimento Assistencial Espírita Maria Rosa, a antiga Sopa do Grameiro, onde prestou serviços voluntários por mais de 40 anos, e enquanto a sua saúde permitiu.
A dona Ordália, que nada enxergava, além de tudo, ainda ajudava no sustento da casa, costurando chapéus para a fábrica dos Cury. A Conceição Costa, que além de mãe foi uma super tia para todos nós, realizou paralelamente à sua vida doméstica um grande trabalho de assistência aos jovens viciados em drogas que pudemos acompanhar tão de perto.
Mulheres que, se a dificuldade apareceu, não passaram fome ao lado dos maridos e, em vez de acharem graça de “não ter o que comer” ou de enfrentar qualquer outra dificuldade, arregaçaram as mangas e foram à luta, priorizando a prole e ajudando – ou sozinhas – a sustentar seus lares. Não viveram só de amor e, apesar de, certamente, também sonharem e suspirarem para a lua, vestiram a armadura para enfrentar a tudo e a todos que um dia chegaram a ameaçar os seus castelos. São soldadas, são guerreiras, são exemplos. Das Amélias que conheço, só mesmo a que leva o Maria antes do nome e o Sanches como sobrenome, enfermeira de primeira linha e que curou tantas feridas, próprias e alheias, com toda a dignidade que o mundo lhe deu.
É para essas mulheres a minha homenagem: que cuidam de seus filhos, pois sabem a responsabilidade que assumiram perante a vida ao dar a luz e, ainda, conseguiram tempo, coragem e disposição para cuidar de tantos outros. Embora algumas já não estejam fisicamente aqui, sei que ainda continuam olhando, orando e torcendo por nós. Obrigada pelos exemplos que nos deram. Obrigada por terem feito parte e por ainda estar em nossas vidas.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Vivendo e aprendendo

Tudo o que acontece em nossa vida tem por objetivo um ensinamento. Nós é que demoramos a perceber essa sutileza.
Em novembro, eu estive às voltas com os mais diversos transtornos após ter sido cassada a minha carteira de habilitação. Procurando ser mais correta possível, ao saber que atingi 20 pontos em multas, entreguei a minha carteira de motorista às autoridades de trânsito e participei de todo o processo legal para reaver o meu direito de dirigir.
Porém, só eu cumpri a minha parte. Os orgãos governamentais deixaram a desejar. Mas essa é outra história. Parte dela é o que interessa nesse momento.
Depois de cumprido o “castigo” e atendido todas as exigências, procurei o Poupatempo do Campinas Shopping, logo às 9 horas da manhã, crente que voltaria para casa com a minha nova habilitação.
A Lei de Murphy, nesse dia, estava implacável: o sistema de informática do exame médico ficou horas fora do ar, mais de 400 pessoas aguardavam na fila do Banco do Brasil para efetuar o pagamento das taxas e o prazo de entrega foi estendido para o dia seguinte.
Eram 17 horas e eu continuava no Poupatempo, sem almoço, abandonando o meu trabalho e com o humor tão péssimo que nem eu podia suportar.
Depois de brigar com meio mundo, chorar, espernear, cai na real e me convenci que teria mesmo que retornar no dia seguinte.
A pé, constatei que não conseguiria chegar, de ônibus, à sessão de terapia agendada para as 18 horas, no bairro Guanabara. Para piorar, as nuvens negras, baixas e carregadas anunciavam um temporal.
Decidi pegar um taxi. Mas me lembrei que havia gasto todo o dinheiro em espécie no Poupatempo e que não portava o cartão de débito para saques no caixa eletrônico do Shopping.
Também não ando com talão de cheques. Só me restavam R$ 30,00 e o cartão de crédito, não aceito pelo único taxista disponível no local.
Ai começa a história que quero contar hoje. Eu já estava tão nervosa que para não perder o controle tentava me convencer de que nada acontece por acaso e que tudo e todas as situações devem ser encaradas como lições.
Eu não entendia o que eu tinha que aprender ali, com tanto descaso, com a péssima qualidade do serviço governamental e com a perda da minha carteria de habilitação.
Por mais que quisesse manter o pensamento positivo, não conseguia.
Até que, do nada, surgiu uma moça que, ao ouvir eu perguntar o preço da corrida ao taxista até o bairro Guanabara, me perguntou se eu não poderia dividir a viagem com ela que estava muito atrasada para comprar passes para seus funcionários na Transurc - exatamente no caminho que eu seguiria. Com essa carona inesperada e a divisão da despesa, consegui chegar ao consultório da Debora em tempo, e com R$ 10,00 na carteira.
Mas, tinha a volta para a minha casa. A Debora poderia me dar uma carona, pois justo naquele dia tinha um jantar e eu fiquei envergonhada de pedir que desviasse no caminho.
Foi ai que meu irmão Carlinhos me ligou e pedi-lhe um carona. Agradeci, dispensei a Debora e fiquei a esperá-lo. Cinco minutos após eu estar sozinha, o Carlinhos me chama pelo rádio para avisar que a bateria de seu carro havia pifado e que aguardava o socorro.
Cansada e perguntado a Deus “o que foi que eu fiz dessa vez para merecer isso?”, solicitei a recepcionista do consultório um número qualquer de um serviço de taxi.
Liguei e expliquei que não mandassem qualquer taxi me atender. Precisava de um que aceitasse cartão de crédito, única forma de pagamento que eu dispunha naquele momento.
Rapidamente o taxi chegou e enquanto eu entrava no carro, chamei o meu irmão para informá-lo que agora seria eu quem iria socorrê-lo. Mas entrei no banco de trás o taxista informou:
-Só levo se for jornalista!.
Para minha surpresa, sentado à direção estava o Marquinhos Cordeiro, irmão do Clovis e cunhado da Lázara, os “todo-poderosos” desse jornal e meus amigos de infância.
O interesante é que nem taxista o Marquinhos é. Ele trabalha na área de informática e apenas dirigia o taxi do cunhado para fazer um bico. É mole?
Pedi que fosse comigo ver se o socorro já estava atendendo o meu irmão e, depois, segui para casa, cansada, mas aliviada e contente, principalmente por ter entendido a lição que a vida quis me ensinar:
“Qualquer que seja o mal momento que eu tenha que enfrentar, Deus sempre dará um jeito de manter os meus amigos por perto para me socorrer e para me ajudar”. Amém!!!
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Doces lembranças ... Amizade para toda a vida
Tenho que agradecer a Deus, todos os dias, os bons amigos que ele colocou na minha
vida não apenas em momentos singulares, mas para me acompanharem durante toda a
minha jornada. A maioria deles vem e vão. E mais uma vez retornam ao meu convívio.
Quem conviveu comigo no final dos anos 1980 se lembrará da Shirley Costa, que agora
assina também Charbonnier, graças ao seu casamento com o Jean Michel, um simpático
francês que tenta me convencer de que é rabugento. Eu a conheci em 1987 quando da
minha estréia como professora no Curso de Jornalismo da Puc. Ela era amiga de alunos
meus. Tínhamos, todos, pouco mais de 20 anos de idade.
Shirley morava em Valinhos e trabalhava, então, na loja de roupas da Rosângela.
Ficamos amigas de imediato. Saíamos para as noitadas, principalmente às quintas-
feiras, no Flor de Liz, com a Laine Turati e o Ivan Fontana. Sempre dormíamos na casa
da mãe dela ou da minha.
Dois anos depois de uma amizade bem chiclete, Shirley decidiu tentar a vida em
Portugal junto com as amigas Dayla e Marcia. Na época não existiam celulares e muito
menos internet. A ligação telefônica para o Exterior custava uma fortuna e a nossa
comunicação começou por meio de cartas e cartões em datas especiais. Em 1994 tive
a oportunidade de viajar para a Europa e inclui Portugal no roteiro para reencontrar a
minha querida amiga. Passamos uma semana maravilhosa entre Lisboa e o Algarves.
Nos anos seguintes muitas coisas aconteceram na minha vida e na dela e acabamos
nos separando. Eu perdi os contatos da Shirley e, ela, os meus. Conseguimos nos
reencontrar em 2004, quando participei do Programa do Jô para falar sobre o livro
biográfico de Vandir Dias. O programa foi exibido em Portugal e assistido pela Eliana,
a irmã mais nova da Shirley, que sempre foi obrigada a ceder sua cama para mim.
Apesar disso, Lica teve o cuidado de ligar para a produção do Jô para pedir o meu
telefone. Em 2007 Shirley e Jean Michel estiveram aqui. No ano passado, consegui
passar três dias com ela em Cascais, no apartamento da Eliana, que, é lógico, foi
obrigada, mais uma vez, a ceder a cama para mim e até hoje questiona se fez bem em
me localizar. Foi pouco para matar tanta saudade. Tanto que voltei agora, no final do
ano, para passar as festas em Estremoz com essa família maravilhosa. Sinto muito
orgulho dessa bem sucedida empresária que mantêm um escritório de comunicação
em Portugal e, outro, em Madri, e que ainda chamo de Shirloca. A vida na Europa e o
sucesso profissional e pessoal não alteraram em nada a sua meiguice, o seu coleguismo,
o seu companheirismo e a nossa grande amizade. Espero, de verdade, que a vida nunca
mais nos separe.
Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br
vida não apenas em momentos singulares, mas para me acompanharem durante toda a
minha jornada. A maioria deles vem e vão. E mais uma vez retornam ao meu convívio.
Quem conviveu comigo no final dos anos 1980 se lembrará da Shirley Costa, que agora
assina também Charbonnier, graças ao seu casamento com o Jean Michel, um simpático
francês que tenta me convencer de que é rabugento. Eu a conheci em 1987 quando da
minha estréia como professora no Curso de Jornalismo da Puc. Ela era amiga de alunos
meus. Tínhamos, todos, pouco mais de 20 anos de idade.
Shirley morava em Valinhos e trabalhava, então, na loja de roupas da Rosângela.
Ficamos amigas de imediato. Saíamos para as noitadas, principalmente às quintas-
feiras, no Flor de Liz, com a Laine Turati e o Ivan Fontana. Sempre dormíamos na casa
da mãe dela ou da minha.
Dois anos depois de uma amizade bem chiclete, Shirley decidiu tentar a vida em
Portugal junto com as amigas Dayla e Marcia. Na época não existiam celulares e muito
menos internet. A ligação telefônica para o Exterior custava uma fortuna e a nossa
comunicação começou por meio de cartas e cartões em datas especiais. Em 1994 tive
a oportunidade de viajar para a Europa e inclui Portugal no roteiro para reencontrar a
minha querida amiga. Passamos uma semana maravilhosa entre Lisboa e o Algarves.
Nos anos seguintes muitas coisas aconteceram na minha vida e na dela e acabamos
nos separando. Eu perdi os contatos da Shirley e, ela, os meus. Conseguimos nos
reencontrar em 2004, quando participei do Programa do Jô para falar sobre o livro
biográfico de Vandir Dias. O programa foi exibido em Portugal e assistido pela Eliana,
a irmã mais nova da Shirley, que sempre foi obrigada a ceder sua cama para mim.
Apesar disso, Lica teve o cuidado de ligar para a produção do Jô para pedir o meu
telefone. Em 2007 Shirley e Jean Michel estiveram aqui. No ano passado, consegui
passar três dias com ela em Cascais, no apartamento da Eliana, que, é lógico, foi
obrigada, mais uma vez, a ceder a cama para mim e até hoje questiona se fez bem em
me localizar. Foi pouco para matar tanta saudade. Tanto que voltei agora, no final do
ano, para passar as festas em Estremoz com essa família maravilhosa. Sinto muito
orgulho dessa bem sucedida empresária que mantêm um escritório de comunicação
em Portugal e, outro, em Madri, e que ainda chamo de Shirloca. A vida na Europa e o
sucesso profissional e pessoal não alteraram em nada a sua meiguice, o seu coleguismo,
o seu companheirismo e a nossa grande amizade. Espero, de verdade, que a vida nunca
mais nos separe.
Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br
sábado, 10 de dezembro de 2011
As meninas do vôlei do Circulo Militar


Tutti, Cris Vosgrau, Verinha, Celinha e Claudinha
Denise, Neusinha Fantini, Cris Fernandes, Ciça e Ana Vosgrau
Acabo de concluir que sou uma pessoa enturmada: tenho a turma de amigos da infância, do Culto à Ciência, do Jornalismo da Pucc, da ex-CPFL, da EPTV, do Correio Popular etc. Todas formadas por amigas e amigos queridos com os quais eu ainda me encontro e mantenho ótimo relacionamento. Mesmo que os encontros, em alguns casos, sejam anuais ou aconteçam em uma periodicidade maior.
Pois acabo de reencontrar uma nova turma: a das Meninas do Vôlei do Circulo Militar. O reencontro começou no facebook e culminou com a uma reunião no sábado, 03 de dezembro, na casa da Marcia Franciosi Nardini. O bacana é que todas nós continuamos as mesmas, algumas, inclusive eu, apenas com alguns quilinhos a mais para caber as grandes alegrias que a vida nos deu. Prova disso é que ninguém perguntou:
-Quem é você, mesmo?
E, continuamos “inhas”: Celinha (Grassi), Claudinha (Zanchetta), Betinha (Henn), Neusinha (Fantini) e Verinha (Longuini). Só a Marcia, que a gente chamava de Pata. Foram também ao (re) encontro a Cristina Fernandes, as irmãs Beraldo - Claudete e a Iara - e a Glaucia Crepaldi. A Alvarina e a Maria Cristina, que jogaram na Hípica, também apareceram por lá.
Sentadas: Celinha, Neusinha e Marcia
Lembramos das broncas do técnico Barbosa, e das amáveis palavras que ele nos dirigia quando estava nervoso; da Kombi amarela e preta que nos levava para casa no final dos treinos e dos jogos; dos títulos que conquistamos para o clube e do sanduiche de pão murcho recheado com presunto e queijo que nos era oferecido após cada partida nos campeonatos principais.
A maioria eu não via desde os meus 17 anos, quando ingressei na Faculdade e tive que parar de jogar vôlei para poder trabalhar e pagar meus estudos. Aliás, eu fui a primeira a parar, mas, como já disse, apenas por um motivo de “força maior”. Algumas pararam por volta dos 20 e poucos anos e, outras, continuam na lida, ainda enfrentando as quadras e dominando a bola e a rede, como a Glaucia, a Betinha, a Neusinha e as irmãs Beraldo. Senti a maior “inveja branca” delas, que ainda treinam, competem e amam o voleibol que foi uma parte muito importante de nossas vidas, numa época em que esporte não era, ainda, “coisa de meninas”.
Mas, nós, estávamos lá, treinando em quadra de saibro, a céu aberto, inclusive nas noites frias que pareciam ainda mais geladas no descampado do clube. Voltávamos com os nossos “Bambas” imundos de terra vermelha. Quadras cobertas só a do Taquaral, Tênis Clube e Regatas, usadas nos jogos oficiais, sem torcida, sem quase ninguém na arquibancada para prestigiar os nossos feitos. Outros, mas bons tempos. Tanto que marcou, para sempre, as nossas vidas. Valeu, meninas. O tempo pode ter passado, mas a nossa amizade continua vitoriosa!
sábado, 29 de outubro de 2011
Sobrinha de peixe, peixinha é
Desde criança eu sempre gostei de escrever. Em casa, apesar do pouco estudo dos meus pais, falar corretamente o português sempre foi uma exigência. Até hoje, uma concordância verbal errada ou a pronúncia de uma palavra inexistente ou trocada é motivo de correção, perto de quem quer que seja. Para quem não está acostumado, pode parecer grosseria, as desde pequenos fomos acostumados a corrigir uns aos outros. E não importa quem esteja por perto. No mínimo, quem ouvir aprende também.
Mas essa “insuportável” maia que temos de corrigir uns aos outros em casa pelo menos nos fez falar e escrever corretamente. Talvez, por isso, seguimos fazendo o mesmo com as novas gerações. E não é que está dando certo. No dia do meu aniversário, em setembro, fui surpreendida pela minha sobrinha-neta, Nicole, que tem apenas 15 anos. Há 9 anos, desde que comecei a trabalhar para a Expoflora, ela e os irmãos Isadora e Rafael (está com 5 anos, mas vai lá desde que nasceu) ficam um ou dois dias no evento comigo. Minha mãe também adorava visitar o evento das flores e, em especial, a Chuva de Pétalas. Em vez de contar, prefiro publicar o texto que a Nicole escreveu, intitulado “Porque optei fingir que acredito”. Ela escreveu:
“Há alguns anos, eu e minha família somos fiéis ao passeio na cidade das flores. É uma vez ao ano em que deixamos de lado os desentendimentos, decepções e tristezas que existem em qualquer família estranhamente normal. Um dia para dar o devido valor aos pontos altos de se ter uma família.
Esses dias são afogados por risadas, piadas sem graça e muita comida. Dia para matar as saudades de quem quase não se vê, dia de amar e ser amado. Dia de sorrir e, em troca, receber sorrisos.
A chuva de pétalas sempre foi a melhor parte. Todo mundo junto, grudadinho para presenciar a chuva mais delicada que existe. Finalzinho da tarde e todos estendem e elevam as mãos para sentir o toque das pétalas. Esse momento sempre foi bonito, já que dizem que quem segurar uma pétala ainda no ar tem um sonho realizado. E todos os anos eram iguais: milhões de sonhos, mãos para o alto, pessoas e pétalas
No ano que passou, minha família perdeu um pedaço. A nossa querida abelha rainha – conhecida também por ser irmã, tia, mãe, avó e bisavó -, resolveu que era a hora de partir para o andar de cima e nos deixou sem... sem mãe, avó e bisavó, que é o meu caso. A saudade tomou conta das casas e das pessoas e, por um bom tempo, ninguém conseguiu ouvir a palavra capelete sem deixar que uma lágrima escorresse de seus olhos.
Eu era aquela pessoa que tentava segurar pétalas por diversão, mas nunca acreditei na história da realização de sonhos. Porém, esse ano, a vontade de segurar uma pétala foi maior. Era como se alguma coisa estivesse me puxando para lá. Fiquei bem na frente e levantei as mãos. Estava disposta a segurar uma pétala.
A chuva com cheiro de flor começou e lá fui eu tentar segurar e sentir o cheiro da rosa. Depois de inúmeras tentativas frustradas deixei a mão direita aberta e não a movi. Um minuto, aproximadamente, se passou e, finalmente, uma pétala pousou sobre a palma da minha mão. Resolvi não conter o choro e o deixei percorrer o meu rosto. Choro de saudade e alegria caminhando de mãos dadas. Saí de lá com a pétala na mão e sentei-me em um canteiro de flores em frente à Sala da Imprensa. Fiquei quieta e comecei a curtir a saudade da minha bisa que voltou para me visitar.
Para a minha surpresa, a música “Como é grande o meu amor por você”, do Roberto Carlos, começou a tocar. Uma música que a dona Maria Helena – minha bisa – adorava e vivia a cantarolar. Optei fingir que acredito na história das pétalas, por sempre ouvir a minha “véia” falando que gostaria de segurar várias pétalas para pedir amor, alegria, saúde, dinheiro e paz para os parentes e amigos.
De agora em diante, tentarei pegar o máximo de pétalas que eu conseguir, para poder continuar a pedir todas as boas coisas que ela pedia. Assim, poderei lembrá-la com mais amor e saudade do que eu me lembro hoje”.
Não é uma fofa? Acho que logo,logo, essa menina puxa o meu tapete.
Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br
Mas essa “insuportável” maia que temos de corrigir uns aos outros em casa pelo menos nos fez falar e escrever corretamente. Talvez, por isso, seguimos fazendo o mesmo com as novas gerações. E não é que está dando certo. No dia do meu aniversário, em setembro, fui surpreendida pela minha sobrinha-neta, Nicole, que tem apenas 15 anos. Há 9 anos, desde que comecei a trabalhar para a Expoflora, ela e os irmãos Isadora e Rafael (está com 5 anos, mas vai lá desde que nasceu) ficam um ou dois dias no evento comigo. Minha mãe também adorava visitar o evento das flores e, em especial, a Chuva de Pétalas. Em vez de contar, prefiro publicar o texto que a Nicole escreveu, intitulado “Porque optei fingir que acredito”. Ela escreveu:
“Há alguns anos, eu e minha família somos fiéis ao passeio na cidade das flores. É uma vez ao ano em que deixamos de lado os desentendimentos, decepções e tristezas que existem em qualquer família estranhamente normal. Um dia para dar o devido valor aos pontos altos de se ter uma família.
Esses dias são afogados por risadas, piadas sem graça e muita comida. Dia para matar as saudades de quem quase não se vê, dia de amar e ser amado. Dia de sorrir e, em troca, receber sorrisos.
A chuva de pétalas sempre foi a melhor parte. Todo mundo junto, grudadinho para presenciar a chuva mais delicada que existe. Finalzinho da tarde e todos estendem e elevam as mãos para sentir o toque das pétalas. Esse momento sempre foi bonito, já que dizem que quem segurar uma pétala ainda no ar tem um sonho realizado. E todos os anos eram iguais: milhões de sonhos, mãos para o alto, pessoas e pétalas
No ano que passou, minha família perdeu um pedaço. A nossa querida abelha rainha – conhecida também por ser irmã, tia, mãe, avó e bisavó -, resolveu que era a hora de partir para o andar de cima e nos deixou sem... sem mãe, avó e bisavó, que é o meu caso. A saudade tomou conta das casas e das pessoas e, por um bom tempo, ninguém conseguiu ouvir a palavra capelete sem deixar que uma lágrima escorresse de seus olhos.
Eu era aquela pessoa que tentava segurar pétalas por diversão, mas nunca acreditei na história da realização de sonhos. Porém, esse ano, a vontade de segurar uma pétala foi maior. Era como se alguma coisa estivesse me puxando para lá. Fiquei bem na frente e levantei as mãos. Estava disposta a segurar uma pétala.
A chuva com cheiro de flor começou e lá fui eu tentar segurar e sentir o cheiro da rosa. Depois de inúmeras tentativas frustradas deixei a mão direita aberta e não a movi. Um minuto, aproximadamente, se passou e, finalmente, uma pétala pousou sobre a palma da minha mão. Resolvi não conter o choro e o deixei percorrer o meu rosto. Choro de saudade e alegria caminhando de mãos dadas. Saí de lá com a pétala na mão e sentei-me em um canteiro de flores em frente à Sala da Imprensa. Fiquei quieta e comecei a curtir a saudade da minha bisa que voltou para me visitar.
Para a minha surpresa, a música “Como é grande o meu amor por você”, do Roberto Carlos, começou a tocar. Uma música que a dona Maria Helena – minha bisa – adorava e vivia a cantarolar. Optei fingir que acredito na história das pétalas, por sempre ouvir a minha “véia” falando que gostaria de segurar várias pétalas para pedir amor, alegria, saúde, dinheiro e paz para os parentes e amigos.
De agora em diante, tentarei pegar o máximo de pétalas que eu conseguir, para poder continuar a pedir todas as boas coisas que ela pedia. Assim, poderei lembrá-la com mais amor e saudade do que eu me lembro hoje”.
Não é uma fofa? Acho que logo,logo, essa menina puxa o meu tapete.
Vera Longuini
veralonguini@ateliedanoticia.com.br
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